Ter ódios de estimação é altamente estimulante. Normalmente, a escolha escapa à vulgaridade lógica e é bastante saudável que assim seja. Os ódios de estimação tem ainda o atractivo de poderem não ser constantes. Quando já parecemos cansados de afirmar um determinado ódio, aparece sempre algo ou alguém saído do nada que se revela merecedor do nosso mais profundo rancor. E não há nada mais irritante do que aquelas pessoas que gostam de toda a gente, que acham tudo maravilhoso e que acham o ódio um sentimento desprezível. É gente odiosa...
Neste momento, e desde há já algum tempo, a minha escolha para ódio de estimação recaiu em
Maria João Avillez

Tudo neste ser me desperta um profundo asco: o penteado, com os ripados e abas aerodinâmicas, as banalidades que escreve, a voz, o pretensiosismo com que entrevista, o sorriso de plástico, o provincianismo... quase poderia apostar que ela anda de jipe na cidade.
O programa de entrevistas que tinha na SIC era um dos meus momentos mais esperados da semana. Era impossível resistir: os sôdoutor, a falsa acutilância de quem estudou muito um assunto mas parece não ter percebido nada, os elogios aos entrevistados, os auto-elogios dissimulados, a contínua sensação de que prestava mais atenção ao que ela própria dizia do que ao que dizia o entrevistado, as historietas cujo objectivo era dar a entender que tinha livre acesso aos círculos do poder e que era íntima de pelo menos metade dos poderosos do planeta... tudo isto a torna um ser desprezível.
Sobram agora as croniquecas na Sábado. Mas falta a imagem para o ódio ser mais realizado. Na semana passada, dizia algures que estava a ler Herberto Hélder (que era o máximo) e fica-se com a sensação de que não lê mas vê os bonecos, que é mais uma afirmação de que para além de ser uma jornalista conceituada, gira, fresca, muito bem relacionada, também é culta e esperta. E é difícil acreditar nisto e em tudo o resto. Eu não faço qualquer esforço, assumo.
E depois houve aquele incidente do texto publicado num anúncio do Banco Privado, que o advogado Júdice diz não ser bem publicidade, que ela classificou com uma enorme chatice...
Para perceberem melhor do que falo, fica um excerto da última crónica na sábado: "Andar a pé, mergulhar na manhã, sorver o anúncio da Primavera, comprar frésias, pô-las numa jarra e trabalhar diante dela. Festejar a vida, numa palavra." Que nojo!
Se um dia encontrasse MJA postrada no meio de uma estrada, após ter sido atropelada, acho que a única coisa que me ocorreria dizer seria: "Que aborrecimento, o penteado abateu todo! Acho que é melhor ligar ao seu cabeleireiro." Se calhar o meu ódio até nem é assim tão intenso...
Teria muito mais para dizer, mas já me considero satisfeito. Por agora. A sensação é óptima. Experimentem.














































