20.2.08

Sem comentários



* Dedicado a todos os que acabaram de entrar nos quarentinhos.

11.2.08

...e como em equipa que ganha, não se mexe

...o Dakar Argentina 2009 conta também com o excelente patrocínio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que, como diz o slogan, anda há uma porrada de anos a fazer milionários...lá na zona de Buenos Aires, onde todas as semanas vai um funcionário recolher as apostas.

O deserto da Mauritânia nas pampas argentinas

Afinal, o Dakar está aí para durar. Depois de muita choradeira e lamechice, que o rali nunca mais ia ser o mesmo, que os terríveis terroristas tinham dado cabo de uma prova tão bonita, a parte francesa da organização da prova já decidiu: Dakar 2009 decorrerá, nos primeiros dias de Janeiro, na Argentina e no Chile. Perdão? Argentina e Chile? Mas, isso não é na América? É sim senhor. O projecto é megalómano. Para agradar a gregos e troianos, leia-se europeus e sul-americanos, a prova mudou para a Argentina, mas mantém o mesmo traçado. Confusos? Pois se se chama Dakar, há que manter o figurino. Assim, Buenos Aires será, faz-de-conta, Lisboa. Réplicas dos Jerónimos, da Torre de Belém e do Centro Cultural de Belém (mais bem construído que o original, diz quem viu) já foram instaladas na capital argentina. Dois dos pasteleiros dos pastéis de belém já seguiram para lá e preparam-se para montar estaminé parecido com o de Lisboa. E se Lisboa é em Buenos Aires, onde será Dakar? Pois será no Chile. Essa zona de extenso deserto. A chegada será, não em Santiago, mas na Ilha de Páscoa. O primeiro que bater numa das gigantescas estátuas de pedra, ganha. Como vão para a ilha? Simples. Num cacilheiro que segue já amanhã para as américas.

Mas esta não será a única parte do percurso feito por mar. Os europeus que insistirem em participar na prova, vão ter que embarcar para a Argentina, com as suas viaturas, em Novembro. Será uma travessia autenticamente em contra-relógio, visto que só demora três semanas. E o Dakar Argentina 2009 é, sem sombra de dúvida, uma prova de grande velocidade e, parece-me a mim, um caso de sucesso logo à partida.

6.2.08

Tacones Lejanos!

Dão cabo das costas, das pernas, dos pés e de sei lá mais o quê, mas, oh felicidade, os saltos altos melhoram substancialmente a nossa vida sexual. A nossa de quem usa, claro está. E o bom disso, e bastante democrático também, é que isto não é uma típica notícia para gajas. Quem circula à noite ali pela zona do Conde Redondo verá com frequência tantos tacones lejanos em pézinhos menos singelos e femininos.
Pois então, uma cientista italiana (sim, parece que existem cientistas em Itália) descobriu que usar sapatos com salto até sete centímetros pode ajudar a relaxar e a fortalecer os músculos da zona pélvica relacionados com o orgasmo. E pronto. É bom para o orgasmo, é bom para nós. Meninas, sapatarias connosco...partida, largada, fugida!

23.1.08

Any's Diary

Eu sei, Diário. A teia de aranha e a humidade tomaram conta de ti. Já não te pego há meses. Os teus seguidores, se os havia, já se mudaram para o blog do Lauro António, que "é chato, mas mexe". Tanta coisa que te podia ter contado...como o dia em que a empresa foi fazer um piquenique de solidariedade para com a Ota (o director comprou lá uma batelada de terrenos "isto vai render, isto vai render" e agora anda um bocado maldisposto. Desde a sábia decisão do senhor engenheiro Sócrates (e daquele grupo...hum...tem um nome parecido com um shampoo para a caspa..LINEC?...adiante), que o director nunca mais foi o mesmo. Durante o piquenique, estavamos nós de mantinha estendida no campo, quando começo a ver a Sónia Cristina (aquela da contabilidade muito afoita a cantar o fado quando abusa da sangria), que na altura envergava um mirrado, porém honesto, pastel de bacalhau, a ficar mais baixa e mais baixa e, quando demos por ela, já só tinha a cabecinha de fora. O terreno começou a dar de si e foi aí que percebemos por que há senhores, os que queriam o aeroporto no deserto alcocheteiro, que diziam que a Ota era um pântano. Se a coisa fosse a votos, pelo menos a Sónia Cristina teria votado em Alcochete, pois coitada, não ganhou para o susto. E a trabalheira que foi a desencrustá-la da lama! Mas a vida tem corrido bem na empresa. Tivemos até visita de pessoas importantes e tudo. Os senhores da ASAE passaram por lá porque alguém nos denunciou dizendo que havia quem fumasse dentro do edifício. Entraram, armados até aos dentes, com aquelas metralhadoras com luz vermelha na ponta, a derrubar tudo à sua frente: cadeiras, mesas, faxes, computadores...julguei que eram os paquistaneses que lá vinham (mas desconfiei porque não tinham lenços árabes, como se sabe...é o código entre eles). Afinal era só o sr. director que estava a fumar. Eles desanuviaram e fumaram todos uma charutada em conjunto. Foi até bonito de se ver.

3.1.08

Já ganhou!!!


Estamos ainda no dia 3 de Janeiro e podemos já garantir com razoável fiabilidade que a manchete alarmista do Diário de Notícias de hoje já ganhou o prémio de manchete mais imbecil de 2008:

«Cada morto na estrada custa um milhão de euros»

O que o jornal fez foi pegar em todos os gastos estruturais na prevenção rodoviária e dividiu esse valor pelo número de mortos.
...o que quer obviamente também dizer que quantos menos pessoas morrerem, mais aumenta o custo por pessoa... e mais alarmado fica o DN!
Força Marcelino! Palpita-me que vais ser a nossa coqueluche em 2008.

18.12.07

Tá a correr bem ...

para o Luxemburgo e para a Irlanda, claro.

Diz o EUROSTAT que o poder de compra dos portugueses está 25% abaixo da média Europeia. Duuuhhh grande novidade. As conclusões desta instituição começam a ter piada. Na verdade esqueceram-se de colocar em nota de rodapé que os portugueses não têm poder de compra - têm sim poder de sobrevivência. Se partirmos do princípio que esta média é feita numa Europa a 27, incluindo quase uma dezena de países que até há bem pouco tempo eram bem mais pobres que Portugal, apetece-me dizer que "tá a correr bem". Neste momento até já Malta, República Checa, Eslovénia e Chipre têm mais poder de compra que nós. Devem ter começado a apertar o cinto na década de 70.

Pergunto: Mas afinal o que falhou no passado? O que está a falhar agora? Andamos há 5 anos com os ordenados congelados e o resultado "parece" ser apenas a diminuição do déficit para dizer a Bruxelas que somos bons meninos e vamos corrigir os erros do passado. Pois é, na verdade, em termos práticos a economia até pode estar a recuperar com as exportações de coisas que desconhecemos mas não entendo como é que os contribuintes vão beneficiar com isso. Até agora não vi nenhuma pista.

Ouvi hoje que os sindicatos e o governo chegaram a um acordo e o ordenado mínimo vai passar para 426Euros? Sim 426Euros. Deve haver países africanos com ordenados minímos mais elevados. É uma vergonha. O que é que se pode fazer com esta quantia? Basta respirar para gastar este dinheiro.

Sócrates. Devo confessar que sempre tive alguma dificuldade em aceitar políticas de direita. Não só porque conheço os contextos históricos que lhes deram origem mas também pelos princípios que defendem. Porém, hoje, no século XXI, onde esquerda e direita andam de mãos dadas, já nada disso é válido. Se um governo socialista aposta numa política baseada, sobretudo, na economia, então deixei de ver diferença entre a esquerda e a direita. Mais ainda quando as estruturas fundamentais das políticas tradicionalmente defendidas pela esquerda estão profundamente abaladas como a saúde, a justiça e a educação (sendo que no caso da justiça a coisa está a correr ainda pior - vamos ter que acordar para esse GRANDE problema) muito menos sentido faz. Votar ps, psd ou cds/pp parece a mesma merda. Todos servem apenas para afundar, ainda mais, o pouco que resta.

Todos fazem o que querem. Basta para isso ter dinheiro. Há crianças à guarda do estado (há que não esquecer este pormenor) violadas por figuras públicas e políticos, que vêm as leis alteradas para os beneficiar e ainda poderem ganhar com isso; há os bancos, que nos roubam todos os dias (ainda hoje se ficou a saber que ficam com o dinheiro das pessoas que morrem), e que fazem as piores falcatruas dentro de portas muitas vezes com a passividade do banco de portugal, que na maior parte dos casos só reage (e muitas vezes mal) quando a comunicação social dá alarme de que algo não está bem. Em boa verdade é outras das instituições que parece estar a precisar de um abanão (não me levem a mal). Às instituições pede-se apenas que funcionem - e que funcionem bem. Não que se limitem a existir.

Tudo isto me leva a perguntar. Para onde vamos? Será que quando chegarmos ao déficit zero os nossos problemas terminam e vamos ter um ordenado mínimo de 1000 euros? O que podemos esperar amanhã? Será que vamos ter aumentos nos ordenados? Ou será que já nem vamos ter emprego?

14.12.07

Presentes de Natal Originais #1

Passio de Matthias Von Fistenberg (DVD)
Talvez não seja uma obra fácil, daquelas que levam ordas aos cinemas e que entram directamente para o top de vendas. Mas Manoel de Oliveira também não é. Mas é sem dúvida um presente original para pessoas que tenham paixão pela arte. "Passio" abre novas perspectivas sobre o cristianismo, na sua relação com o mundo e na forma como influenciou a relação do homem consigo mesmo.



Afirma-se na sinopse da obra: "O aclamado realizador viaja dois mil anos em direcção ao passado para re-inventar o Filho de Deus disseminando o seu amor a toda a humanidade. Seja amarrado a uma cruz ou a causar problemas a Pôncio Pilatos ou mesmo a transformar a Última Ceia numa festa da carne, Ele tem a certeza de ser uma inspiração para legiões." Assente numa estética de depuração cénica, equilibrada pela saturação da fotografia, a obra de Fistenberg eleva a figura de Jesus ao mais elevado plano do divino, não por ser essa a sua natureza intrínseca, mas pela via da dessacralização. O que Fistenberg nos diz é que Cristo torna-se divino por ser absolutamente humano.
Passio é uma obra fundamental para crentes e não-crentes e uma excelente proposta para presente de Natal.

Clique aqui para ver a apresentação do filme.

13.12.07

A Justiça criminosa, Clara Ferreira Alves

Não é costume o sinal de alarme apresentar textos na íntegra. Porém. Este texto não é um texto qualquer.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso.
Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia que se sabe que nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.
Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços do enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.
E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogues, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.
Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muito alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?
Vale e Azevedo pagou por todos.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.
Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?
Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?
Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?
Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?
Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não substancia.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu?
E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?
E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente"importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?
E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.
Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. Este é o maior fracasso da democracia portuguesa e contra isto o PS e o PSD que fizeram? Assinaram um iníquo pacto de justiça.

«Expresso» de 20 de Outubro de 2007

3.12.07

Grã Bretanha

Pois nem tudo corre bem por terras de Isabel II (Isabelinha para os amigos). Não bastavam os escandalos famíliares, a incompetência da polícia e dos trabalhistas ainda tem que levar com preocupações absolutamente inacreditáveis como o da perda da bases de dados relativa a mais de 25 milhões de pessoas beneficiárias do abono de família do Reino Unido. Supostamente dois discos que continham estas informações foram perdidos entre dois serviços. Se fosse só a data de nascimento, nome e morada - ainda vá. Agora com dados bancários à mistura é que já é pior e os britânicos começam a ficar um bocadinho tristes com a possibilidade de verem a conta bancária desaparecer e de não terem dinheirinho para o peru. Já há quem venda na net dados de cartões de crédito por 1,5€, ou até mesmo jornalistas que conseguem fazer downloads de dados sem pagar nada. Agora a minha questão é: como é que se passeia dois cd`s com dados pessoais assim, sem mais nem menos? Parece que os serviços britânicos não estão a acautelar pormenores importantes. Se calhar temos que mandar para lá o sócrates para ele arrajar uma bolsa de numerários ou supranumerários (como na opus dei, nunca sei o que é ao certo, ainda que desconfie que um destes dias também lá esteja e aí deixarei de ter dúvidas), para enquadrar estes incompetentes que perdem, assim, sem apelo nem agravo os dados pessoais das pessoas. Ou será que estão a precisar que este senhor volte?

30.11.07

Amy what?



Há uns tempos atrás, o suplemento Y do Público publicava um texto de página inteira sobre esta jovem. O autor, de que não me lembro o nome, tecia-lhe largos elogios numa espécie de êxtase quase onírico. Chegava ao ponto de justificar, em cada parágrafo, o desinteresse dos portugueses pelo ser como uma prova do seu terceiro mundismo. Obviamente, o autor da prosa, qual iluminado, estava acima da secular ignorância nacional.
A partir dessa altura, comecei a reparar que a jovem, que passei a identificar como a rapariga da cabaça na cabeça, aparecia em tudo o que era notícia cor de rosa. Ou era os problemas conjugais, ou era o consumo de drogas ou outra qualquer treta do género que garantem a fama às Britney Spears desse mundo.
Comecei a pensar que o meu habitual desinteresse pelos "hypes" do momento me estavam a impedir de uma qualquer experiência transcendental. Fui perguntando a amigos e conhecidos se já tinha ouvido alguma coisa da Amy Winehouse. Para além das historietas manhosas da vida da rapariga, ninguém lhe conhecia sequer a voz. Fiquei um pouco mais tranquilo.
Até hoje. Novamente no Y, não uma, mas duas páginas (mais uma coluna de crítica a um DVD) sobre esta fulana de pose estudada e cara de parva a quem apetece dar dois pares de estalos rematados por um cresce e aparece. Mas Vítor Belanciano, o autor, tem uma opinião ligeiramente diferente. Termina assim o primeiro parágrafo do texto: "Da mãe da cantora às Nações Unidas, o mundo parece estar suspenso sobre o que irá acontecer com Amy Winehouse, estrela mais fulgurante, e mais improvável, de 2007." Temo que haja aqui uma ligeira perda da noção de realidade. Mas qual mundo é que está suspenso? E por que carga d'água é que improvável, se tem os ingredientes todos para ser estrategicamente famosa e economicamente rentável?
Depois de escutar umas quantas canções, fiquei com a forte impressão que não é apenas Amy Winehouse que bebe e toma drogas. Tem uma excelente voz, sem dúvida, mas as canções são uma espécie de sobre-requentamento do soul dos anos 60 com uma pop-zinha feita à medida dos tops. E com a quantidade de gente desenquadrada e rebelde que existe no mundo e que também apanha bebedeiras e toma drogas, não percebo o que é que isso tem de extraordinário. Há ainda o argumento das letras que, versando sobre a sua relação com as drogas e demais problemas da sua vidinha errante de suburbana, colocam o seu trabalho acima da esfera do banal. Mas os infortúnios, arrogâncias e infantilidades da famosa jovem inglesa, sejam eles reais ou não, são absolutamente entediantes. Como é que se pode respeitar alguém que ameaça o público com os músculos do marido...

22.11.07

Tertúlia cor-de-rosa

Todos os dias almoço em casa. Por volta das 12h50m estou à mesa a almoçar. Quando ligo a televisão para ver as notícias tenho que levar com aqueles programas para entreter a 3.ª idade e as pessoas desocupadas que existem nos vários canais. De uma forma genérica digo apenas que consegui ficar a odiar o Jorge Gabriel (tipo não o consigo ver mesmo - o homem é ridiculo), o Goucha é de uma surrealidade indescritivel e a Fátima Lopes apetece dar estalos para que a mulher acorde daquela realidade paralela em que ela vive transformada em salvadora dos mais desprotegidos e que depois vai de férias para ilhas paradisiacas e sitios exóticos para aparecer na caras.
Mas há sobretudo algo que ultrapassa todos os limites. A parte final do programa da Fátima Lopes chama-se pesadelo cor-de-rosa. Imagino que nunca tenham visto. Mas eu vou contar-vos. este video que aqui vêm é um tipo a imitar o cláudio ramos, que num intervalo publicitário vende um trem de cozinha ou uma cena parecida. Este tipo juntamente com a Maya (aquela taróloga, astróloga e outras coisas acabadas em óloga), um outro tipo gordo muito bicha, a florbla queiroz e uma outra que foi miss qualquer coisa fazem uma coisa extraordinária: FALAM DA VIDA DOS OUTROS. Não estão a perceber mal. É isto mesmo que estas pessoas fazem. Dizem mal e analizam a vida do jet set da sociedade internacional. Já foram processados por muitas pessoas e estão constantemente a insinuar que o cristiano ronaldo é gay. Acho que o dia que o disserem são processados por um batalhão de advogados ingleses - daqueles tipo cães de fila.
É um programa absolutamente ridiculo. Será que eles nunca param para olhar para a figura que fazem? Há pessoas muito idiotas.

Criminoso? Quem eu?

Pois é meus amigos isto continua sem rei nem rock. Já não se pode tirar dinheiro ao portugueses para dar a uns amigos que somos logo acusados de criminosos e outras coisas mais dignas. Fontão de Carvalho (na foto) ex vice-presidente da CML e a sua companheira Eduarda Napoleão (esta última certamente invadida por uma energia imanada do sobrenome) resolveram que haviam de retirar dos cofres da CML uma soma considerável de dinheiro e entregá-la a três amigos gestores dessa extraordinária empresa municipal que é a EPUL como prémios de gestão. Tenho para mim que a EPUL faz tudo, excepto coisas extraordinárias. À partida ninguém percebe o que terão estes senhores feito de extraordinário para receberem prémios de gestão com dinheiro dos contribuintes, mas certamente haverá uma razão. É pena nós, os próprios contribuintes, não conhermos essa razão - mas isso é apenas um à parte.
A justiça portuguesa, célere como sempre, vem agora dizer que afinal o fontão, a amiga e os três administradores da EPUL vão mesmo a julgamento. hooo que maldade. Mas porquê? É uma injustiça. Afinal os vereadores têm ou não têm poder para fazer o que bem entendem do dinheiro dos contribuintes? Se o povo os colocou lá é porque têm legitimidade para fazerem o que quiserem. Ir às putas, comprar jóias, jantar no eleven, comprar fatos dos costureiros famosos, viajar, contractar arquitectos para obras que não se vão realizar, etc, etc, etc...O facto da CML estar enterrada em dívidas até ao pescoço é apenas um pormenor irrelevante. O tribunal não está a ver.
FC está de tal forma convencido da sua inocência que até dizia que ia recorrer para o Supremo. Dizia ... deixou de dizer depois do advogado lhe explicar como se ele fosse muito burro que não podia recorrer porra nenhuma para lado nenhum e tem mesmo que ir parar com as nádegas à barra do tribunal e explicar muito bem explicadinho que história foi aquela de dar suplementos de gestão a três energúmenos que não contribuem em nada para a riqueza ou desenvolvimento da autarquia. Aliás, é preciso que se saiba o que terá ele ganho em troca desta gentileza de milhares de euros. É um bocado fodido de ouvir estas merdas mas é mesmo assim. Não sejamos ingénuos, alguma coisa ganharam em troca.
Só espero que os senhores doutores juízes de cima do seu alto pedestal e que não querem ser funcionários públicos se deixem de merdas e exerçam o pleno direito para o qual foram incumbidos e não se deixem corromper por merdas de politiquices, senão um dia destes vamos ter juízes a julgar juízes. Não era muito agradável.

15.11.07

Novo blog

Só pra avisar o pessoal que me segue que vou começar a escrever no Carlopod mas que continuo a escrever também aqui, ao mesmo ritmo dos outros.

9.11.07

Maddie o Musical - Cena 28 - O Golpe de Misericórdia (ou O Fim)

No dia seguinte, ainda em Roma, Kate acorda com uma estranha sensação de vazio. Maud já tinha preparado um reconfortante pequeno almoço: um ovo cozido, a dose diária de comprimidos e o inevitável Mateus Rosé. Meia hora depois, fosse pelos comprimidos, fosse pelo vinho, fosse pelas duas coisas juntas, num estado de quase euforia, Kate virou-se para a sua assistente e disse: "Tive uma ideia."
Maud mostrou-se falsamente surpreendida e Kate desfilou o que lhe tinha passado pela cabeça.
"Vamos fazer umas férias no Algarve. Maud, my dear, liga para os meus amigos e convida-os para um fim-de-semana prolongado no Ocean Club. Depois de teres tudo confirmado, ligas para o The Sun e para a Sky News e diz-lhes que nos vamos juntar novamente, na Praia da Luz, onde tudo começou, para relembrar a Maddie, o Gerry, o Sean e a Amelie. My dear, acredita em mim, tenho a forte sensação de que é agora que tudo se vai resolver."
Maud sorriu-lhe com complacência e disse-lhe: "Não se preocupe, eu preparo tudo". Sabia que não valeria a pena contrariá-la e dizer-lhe que metade dos amigos já tinham morrido e que a outra metade estava tão senil quanto ela, que já ninguém ligava muito ao assunto, comunicação social incluída, e que os gémeos tinham desaparecido mas por vontade própria. Por isso, decidiu fazer-lhe a vontade e saiu do quarto para começar a fazer alguns contactos.
Sentada na cama, com um sorriso nos lábios e um olhar vazio, Kate canta:



Uma semana depois, já estavam as duas no Ocean Club, no mesmo apartamento de onde, muitos anos antes, Maddie tinha desaparecido. Kate voltou-se para Maud e disse: "É estranho, parece tudo tão igual... parece que nunca mais entrou aqui ninguém... Maud, my dear, quando é chegam os meus amigos?" Maud achou que era melhor não lhe contar a verdade. "Amanhã de manhã, por volta das 10 horas. E marquei com os jornalistas às 11 horas." Kate sorriu, agradecida, e disse-lhe: "My dear Maud, o que seria de mim sem ti!" Como a deixa lhe pareceu demasiado La Féria, mudou de registo: "Temos de comemorar. Vais ao supermercado e trazes duas garrafas de Mateus Rosé, uma Late Bottle Vintage para mim e uma Freshy Pinky para ti. É o teu preferido, não é?."

Duas horas depois, Maud entrava de rompante na recepção do Ocean Club aos gritos: "Eles levaram-na, eles levaram-na!"
Veio a polícia e, logo a seguir, três jornalistas, da SkyNews, do The Sun e do Correio da Manhã. Maud explicou à polícia que tinha ido ao supermercado e que quando voltou Kate tinha desaparecido. Depois, entre lágrimas, avançou com a suspeita de rapto. "Quando entrei no apartamento, chamei por ela e não obtive resposta. Foi quando reparei que a janela da sala estava aberta e que no parapeito estava uma fralda Lindor. É impossível que ela tenha fugido. Até para entrar na banheira ela precisava de ajuda, quanto mais para saltar por uma janela. Eles levaram-na!"
Mas, ao contrário do que aconteceu com a filha, o desaparecimento de Kate não suscitou grande interesse. Ninguém já tinha paciência para o caso Maddie, quanto mais para o remake em versão materna. A polícia despachou o caso como a fuga de uma velha inglesa, senil e alcoólica, de férias no Algarve. Os jornais, depois de uma primeira manchete, não voltaram a tocar no assunto. Era Verão e ninguém estava muito interessado na história de uma velha desaparecida. Perante o desinteresse geral, não restou a Maud outra alternativa que seguir em frente.

De regresso a Inglaterra, Maud não teve ninguém à sua espera o que secretamente agradeceu. Dirigiu-se para casa de Kate para ir buscar as suas coisas.
Pela primeira vez, nos últimos anos, sentia-se completamente livre e num estado de felicidade quase infantil. Depois de entrar em casa, foi para o quarto de Kate, abriu todas as portas e gavetas dos armários e escolheu as peças de roupa mais aberrantemente sexys que encontrou. Sendo Kate uma inglesa genuína, havia muito por onde escolher. Mas faltava ainda a maquilhagem. Sentou-se frente ao espelho da cómoda, retirou as lentes de contacto coloridas, que lhe compensavam a miopia e lhe davam uma tonalidade castanha aos olhos, colocou uns óculos escuros, pintou os lábios de vermelho vivo e, quando achou que já podia passar por uma popstar, saltou para cima da cama e cantou:



Ofegante, Maud volta a sentar-se frente à cómoda. Pega no mesmo batom vermelho com que tinha pintado os lábios e, com um sorriso enigmático, escreve no espelho "MADDIE WAS HERE". Depois, tira os óculos escuros e revela aquele que era talvez o maior dos seus segredos e que as lentes de contacto coloridas tinham ajudado a esconder: a pequenina mancha no olho direito.

Com o peluche que acompanhou Kate durante anos numa mão e uma tesoura na outra, vai desferindo golpes no boneco enquanto canta:



Cai o pano.
FIM

Maddie o Musical - Cena 27 - Antes do Fim

Umas boas dezenas de anos depois do desaparecimento de Maddie, o caso continuava por resolver e a alimentar pequenas notícias conspirativas no The Sun e no Correio da Manhã. Durante todo esse tempo, vários turistas europeus continuavam a afirmar terem visto a pequena Maddie em Marrocos. O último caso, tinha sido protagonizado pela Infanta Leonor, já Rainha de Espanha, que garantia a pés juntos ter visto uma criança loura, com uma mancha no olho, a ser enfiada pelos cabelos dentro de um carro.
Pelo meio, foram veiculadas pelos jornais muitas teorias da conspiração, que se esfumavam na espuma dos dias à mesma velocidade com que apareciam.
A polícia portuguesa continuava a dizer que todas as possibilidades continuavam sob investigação; os jornais ingleses continuavam, no seu tradicional nacionalismo parolo, a acusar de absoluta inépcia a polícia portuguesa, em partitcular, e todos os portugueses em geral, enquanto os jornais portugueses, delirantes por qualquer conspiraçãozinha, afirmavam que o caso nunca seria resolvido por pressão da diplomacia britânica e do MI5. Indiferentes a tudo isto, os ingleses continuavam a comprar casas e a fazer férias no Algarve e a embebederam-se com Mateus Rosé, os portugueses continuavam a achar que Londres era o mundo, e ambos, quando questionados sobre o caso, respondiam "Maddie who?" Igualmente indiferentes a todo o caso estavam os gémeos McCann que, já maiores de idade, enveredaram por uma fulgurante carreira na indústria do cinema para adultos com o cognome de "Os Gémeos Maravilha". Nunca mais voltaram a Inglaterra e só telefonavam à mãe no Natal.
Entretanto, Gerry, que era um lírico e acreditava no Pai Natal, resolvera seguir um dia uma dessas pistas marroquinas e nunca mais voltara. Ou melhor, desaparecera sem deixar rasto. Kate, a quem o Alzheimer começava a tolher os sentidos, lançou uma nova campanha, desta vez para encontrar o marido. Junto com a tradicional foto de rosto, Kate resolveu divulgar uma foto do rabo do marido, argumentando que aquele grande sinal na nádega esquerda era um dos seus mais evidentes traços distintivos. Como Kate sempre teve o perfil ideal para ser a má da fita nesta história, não faltaram as acusações de que aquilo não era um sinal mas uma cicatriz, resultado da continuada violência sexual exercida sobre o marido.
Involutariamente alheia a todas essas polémicas, Kate voltou a fazer um périplo europeu, desta vez por causa do marido. Ao já famoso peluche que nunca largava, juntou umas algemas que, segundo ela, era o brinquedo preferido de Gerry. Por não ter mais ninguém e por o seu estado de saúde já não permitir grandes aventuras, Kate passou a ser sempre acompanhada por Maud, a sua assistente que, com o tempo e as argruras da vida, se tornara no seu braço direito e melhor amiga. Não foi preciso muito tempo para que as más línguas começassem a dizer que Maud era sua amante.
Mas isso estava bastante longe da realidade. A constante presença de Maud junto de Kate tinha uma razão bem mais prosaica. Os tratamentos à base litium, acompanhados com generosas doses de Mateus Rosé Late Bottle Vintage, foram reduzindo, com o tempo, a autonomia de Kate, acabando por se tornar completamente dependente de Maud.
Deitada na penumbra de um quarto de hotel de Roma, com Maud sentada ao seu lado a ver a Sky News, Kate canta...



(Continua para a última cena...)

8.11.07

Rede de Esposos Heterossexuais.

http://www.straightspouse.org/

Rede de esposos heterossexuais.
Como disse?
Isso mesmo: Rede de Esposos Heterossexuais.
América. Esse país que nos surpreende em cada segundo do tempo que passa oferece-nos esta maravilha de sítio. As famílias com membros homossexuais não estão esquecidas. São "muito poucas" é certo mas existem e como tal há que não as esquecer.

A quantidade de literatura disponível sobre esta temática é significativa como o indica os links de de sugestões de leitura, onde aparecem entre muitos: From Wedded Wife to Lesbian Life: Stories of Transformation; The Other Side of the Closet: The Coming-out Crisis for Straight Spouses and Families, revised and expanded (lol) e dois dos meus favoritos When Husbands Come out of the Closet e MY HUSBAND IS GAY: A Woman's Guide to Surviving the Crisis.

Praticar o bem

Estava aqui a ler uma notícia e tive uma ideia para onde podíamos mandar o Santana Lopes.

7.11.07

Prioridades

DE facto Luís Amado pode bem esperar por um cumprimento. A Euronews é que foi mázinha. Não tinha nada que apanhar estes momentos da cimeira que é suposto ninguém ver.

25.10.07

Maddie o Musical - cena 26

em nome do indigente andrajoso

Segundo o jornal português "24 Horas", as análises de ADN confirmaram que Gerry não é o pai biológico de Maddie.
Apesar de ser mais que sabido que o casal alinhava em práticas de "swing", ainda há quem se admire com a notícia.
Mas como reage Kate?



(continua)